Consciente, Franck Caldeira sonha com o pódio na São Silvestre

"Franck Caldeira exibe a tatuagem que fez de si mesmo"

SÃO PAULO - As esperanças de vitória brasileira na São Silvestre deste ano parecem mesmo se concentrar em Marilson Gomes dos Santos, bicampeão da prova (2003 e 2005) e da Maratona de Nova York (2006 e 2008). O brasileiro com o segundo currículo mais expressivo, o mineiro Franck Caldeira, não se considera dentro do bloco dos favoritos.

'Já avisei à diretoria do Cruzeiro [seu clube] que a vitória na São Silvestre neste ano é impossível. Sou um atleta que tem os pés no chão e avalio que vencer essa prova é consequência de um trabalho bem feito ao longo de todo o ano e 2010 para mim foi perturbado', afirmou o corredor, que perdeu a mãe recentemente.

A sétima colocação na Volta da Pampulha, em Belo Horizonte, no início deste mês, afetou a confiança de Franck. 'Quando venci a São Silvestre, em 2006, vinha de vitórias na Meia-Maratona do Rio e na Pampulha. Eu voei nessas duas provas. Neste ano não foi assim', comparou. Franck não completou a São Silvestre no ano seguinte, tampouco no ano passado. Em 2008, correu todo o trajeto de 15 km, mas terminou longe do pódio.

Ficar entre os cinco primeiros é a meta do corredor de 28 anos agora. 'Este não é o ano em que estou mais bem preparado, mas aquele em que estou mais consciente. Nos anos anteriores eu falei em vitória, mas não administrei bem a pressão da imprensa e da torcida. Um pódio é o resultado que vai me fortalecer para a próxima temporada, quando vou defender a medalha de ouro na maratona dos Jogos Pan-Americanos [em outubro, em Guadalajara, no México]'.

O realismo é compartilhado pelo técnico de Franck, Alexandre Minardi. Em sua opinião, o vencedor da São Silvestre de 2006 pode aspirar a um lugar no pódio, mas não ao mais alto. Por outro lado, ele considera que são altas as chances de Marilson. 'Se não vier nenhum corredor da Eritreia, acho que as chances de o Marilson vencer são de 110%', declarou o treinador.

Na listagem oficial não há registro de nenhum corredor da Eritreia, país que se tornou independente da Etiópia em 1993 e vem registrando impressionantes resultados no atletismo. O pelotão de elite africano da prova masculina é formado por seis quenianos, dois marroquinos, um etíope e um tanzaniano.

Franck, que gosta de ser chamado de 'queniano branco', foi vice-campeão da Meia-Maratona do Rio de Janeiro, em agosto, e venceu a primeira edição da Maratona Maurício de Nassau, no Recife, no mês passado. Já Marilson se apresentou em ótima forma na Sargento Gonzaguinha, no início deste mês, impondo quase dois minutos de vantagem sobre o segundo colocado, Israel dos Anjos.

A maior ameaça a Marilson parece vir do queniano James Kipsang Kwambai, bicampeão da São Silvestre (2008 e 2009) e dono da segunda melhor marca de todos os tempos na maratona (2h04min27). Outro forte concorrente é seu conterrâneo Duncan Kibet.

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