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Atualizado: 12/02/2014 | Por ESPN.com.br- espn.com.br

Sem medo do pecado: Botafogo joga bem e vence San Lorenzo, time do Papa, pela Libertadores

Sua Santidade que desculpe o pecado, mas no Templo do Futebol manda mesmo o Botafogo...


Sem medo do pecado: Botafogo joga bem e vence San Lorenzo, time do Papa, pela Libertadores

Papa recebe camisa com a inscrição 'Francisco campeão'

Sua Santidade que desculpe o pecado, mas no Templo do Futebol manda mesmo o Botafogo. Em bela atuação da equipe, o time não fez a torcida apelar para a fé e venceu o San Lorenzo, time do coração do Papa Francisco, por 2 a 0, no Maracanã, na estreia da fase de grupos da Copa Libertadores.

Ferreyra e Wallyson marcaram os gols da vitória botafoguense. Com o resultado, o time assumiu a liderança do grupo 2 da Libertadores, com três pontos conquistados.

Eduardo Hungaro também não teve de apelar aos céus para escalar a equipe titular. Apenas o atacante reservas Elias, por indisposição, ficou fora do jogo. Na próxima rodada, o Botafogo visira o Unión Española, no Chile, no dia 26 de fevereiro. Já o San Lorenzo recebe o Independiente, na Argentina, no dia 27.

O jogo

Antes da partida, não houve a procissão com luzes, vetada pelo Corpo de Bombeiros. Contra o time do homem santo, cânticos na arquibancada. "Fogo, eu te amo" reverberavam por todo o Maracanã, nas vozes de botafoguenses unidos por uma só religião: a da Estrela Solitária.

Depois de um início muito disputado, o Botafogo deu as caras na grande área em um chute de Jorge Wagner em rebote e cobrança de falta de Lodeiro. Torrico encaixou de forma fácil. Não deu nem para se benzer.

Aos 18 minutos, cada alma alvinegra na arquibancada teve de rezar a sua primeira prece. Isto porque Dória deixou-se enganar pelo quique da bola e Blandi aproveitou. No jogo de corpo, o atacante do San Lorenzo ajeitou a bola, mas bateu fraco, de frente para Jefferson, e desperdiçou boa chance.

O Botafogo fazia a bola rodar entre o trio Wallyson, Jorge Wagner e Lodeiro, enquanto Ferreyra esperava a boa oportunidade para matar o jogo. E ela apareceu aos 29 minutos. Foi justamente quando Jorge Wagner avançou pela intermediária e recebeu inspiração divina para arriscar o chute.

A bola desviou em Cetto e Torrico deu rebote. Logo nos pés de Ferreyra. Crucificado pela torcida nos dois primeiros jogos, o atacante teve seu momento de redenção e bateu forte, no alto, para o fundo da rede. Explosão de fé no Templo do Futebol. Botafogo 1 a 0.

O gol aliviou a arquibancada e fez emanar aquela energia de quem tem a certeza de uma benção. Mas a fé do San Lorenzo também é forte e fez testar a desconfiança de qualquer botafoguense incrédulo. Aos 42 minutos, Blandi lançou Correa na cara do gol, que chutou cruzado. Mesmo com Jefferson parado, a bola passou rente à trave esquerda e foi para fora. O Botafogo desceu ao vestiário, então, com a vitória magra.

No segundo tempo, fazia-se necessário renovar a fé no time botafoguense. E a noite estava propícia para isso. Logo aos sete minutos, Wallyson, quase um Messias da classificação para a fase de grupos uma semana antes, recebeu a bola pelo lado esquerdo da grande área. Com habilidade, o camisa 19 puxou a pelota para o meio e bateu seco, no canto esquerdo de Torrico. Golaço. Botafogo 2 a 0. Que bênção.

Wallyson, com todo respeito à Sua Santidade, estava infernal. Aos 13 minutos, pela esquerda, ele avançou mais uma vez e cruzou no capricho. Ferreyra quase marcou e arrancou suspiros da arquibancada, mas a zaga do San Lorenzo afastou o perigo.

Em situação complicada, de pressão, Edgardo Bauza sacou do banco o símbolo da fé do San Lorenzo, o meia Romagnoli. Com o futebol cadenciado que despertou interesse internacional no início dos anos 2000, o jogador deu mais opção de passe e condução de bola ao meio de campo do San Lorenzo. Mas era pouco.

Em noite inspiradíssima, o Botafogo disputava cada bola e encarnou o espírito da Libertadores. Time e arquibancada comunhavam a mesma fé, em busca da vitória logo na estreia na fase de grupos. Parecendo cansado e sem inspiração, o San Lorenzo tentava apenas alçar bolas à área. Em vão.

Com a troca de Ferreyra por Henrique, o técnico Eduardo Hungaro quis dar mais fôlego a um Botafogo. Mas lá estava o San Lorenzo a apelar aos céus, com bolas aéreas seguidas. Mas nem mesmo com muita reza uma delas entraria no gol protegido por Jefferson. Hungaro, então, sacou Wallyson, esgotado, para a entrada de Bolatti.

E não houve mesmo jeito. Estava escrito. Haja fé. Contra o Botafogo elétrico desta Libertadores nem mesmo o time do Papa Francisco foi capaz de superar os gritos de olé da arquibancada. Que bênção.

FICHA TÉCNICA:

BOTAFOGO 2 X 0 SAN LORENZO

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)

Data: 11 de fevereiro de 2014, terça-feira

Hora: 20h

Árbitro: Roberto Silvera (URU)

Cartões amarelos: Gabriel (BOT) e Más, Cetto e Ángel Correa (SAN)

Público e renda: 28.116 pagantes/ 32.201 presentes/ R$ 1.595.480,00

Gols: Ferreyra (BOT), aos 29 minutos do primeiro tempo e Wallyson (BOT), aos sete minutos do segundo tempo.

BOTAFOGO: Jefferson; Edílson, Bolívar, Dória e Julio Cesar (Junior Cesar); Gabriel, Marcelo Mattos, Jorge Wagner e Lodeiro; Wallyson (Bolatti) e Ferreyra(Henrique)

Técnico: Eduardo Húngaro

SAN LORENZO: Torrico; Buffarini, Cetto, Gentiletti e Más; Mercier, Ortigoza, Piatti (Villalba) e Kalinski (Romagnoli); Ángel Correa e Blandi (Matos)

Técnico: Edgardo Bauza

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