Werdum não poupou críticas a Vitor Belfort - Evelyn Rodrigues

Werdum não poupou críticas a Vitor Belfort - Evelyn Rodrigues

Fabrício Werdum foi um dos grandes destaques da primeira edição do reality show “The Ultimate Fighter” Brasil e também do UFC BH, quando atropelou o norte-americano Mike Russow.

Em Las Vegas onde acompanhou o UFC 148, o peso-pesado brasileiro falou com exclusividade à Ag Fight. Sem papas na língua, Werdum falou sobre os bastidores e polêmicas do TUF Brasil, da relação entre Wanderlei Silva e Vitor Belfort e explicou porque quer tanto enfrentar novamente Junior 'Cigano' dos Santos.

Ag. Fight -Como foi a experiência dentro do TUF Brasil?

Fabrício Werdum - Foi uma experiência muito boa. Eu fiquei muito feliz de ter sido convidado pelo Wanderlei, que é um amigo meu de muito tempo. E foi uma experiência única na verdade, porque foi bem intensa, e foi estressante também.  Fiquei 45 dias gravando todos os dias. Se eu como técnico já me estressei, imagina os guris lá como estavam. Os caras sofreram. O que eu mais vi assim foi o peso deles. Dois ou três deles tiveram que cortar o peso duas ou três vezes e é bastante,  imagina três vezes em 45 dias perder muito peso.  Até o Rodrigo Dan teve um problema. O restante foi bem bacana.

Tem alguma coisa que podia ter sido diferente?

É aquele clima né, no começo a gente foi meio de ‘sangue doce’. A gente perdeu muitas lutas pelo fato da galera não escutar os treinadores. É claro que a gente não é o dono da razão, mas eu acho que eles tinham que ter escutado um pouco mais. Eu acho que se os caras fossem mais iniciantes, de repente eles fossem escutar mais, mas como eles já eram profissionais, já tinham a sua maneira de lutar e do jeito que gostavam de fazer, eu acho que isso atrapalhou um pouquinho porque a gente falava, traçava a estratégia todinha – eu bastante a parte do chão, mas mais era o Rafael , o Wanderlei e o Dida que faziam mais.

Essa primeira edição do TUF teve alguns episódios polêmicos como a luta entre o Gasparzinho e o Jason e mesmo a questão do relacionamento do Wanderlei Silva e do Vitor Belfort...

Tem pessoas que pensam que é mentira, mas é verdade sim, eles não se dão bem. E o Vitor é aquele cara que no mundo do MMA é meio queimado, sabe? O jeito que ele fala ninguém gosta assim porque a gente vê que o que ele fala não é uma coisa verdadeira. Então o pessoal no Brasil se identificou muito mais com o Wanderlei do que com o Vitor, porque o jeito que ele fala, o Wanderlei é muito mais povão mesmo, o jeito que ele fala ele tava falando ali e o Vitor queria fazer o negócio todo certinho, fazer aquela média. Ele também é muito queimado no mundo da luta porque vive mudando de academia, não tem um time assim, uma bandeira. Ele promete umas coisas aqui e sai fora, promete ali e sai fora e isso vai queimando o filme dele né... Para mim, por exemplo, ele nunca fez nada, sempre me deu ‘oi’ na boa, mas minha mãe mesmo diz que quando um fala, não precisa suspeitar, mas quando todo mundo fala, tem alguma coisa errada.

E quando o Anderson Silva visitou a casa e acabou não falando com o pessoal do Vitor Belfor? Como foi isso?

Aquilo não foi assim nada demais. A galera fez uma polêmica, mas ali ele passou, colocou a nossa camisa, ele veio direto no nosso container, ele não conhecia o lugar onde estavam acontecendo as gravações. Então você entrava, tinha dois containers – o verde e o azul que era o nosso. E acho que quando ele entrou a produção já levou ele direto no nosso, e aí eu já dei uma camisa azul para ele e aí ficou parecendo que ele ignorou o time do Vitor, mas não foi isso. Ninguém falou, ‘ah não vai lá’, não rolou isso. Depois o Vitor trouxe o Demian Maia, que vestiu a camisa verde, acho que o Cigano também foi para a casa. As visitas não tinham que vestir a camisa... é que cada um puxou para um lado e acabou influenciando.

Teve mais algum mal-entendido assim de bastidores?

Muita coisa que saiu, como aquela briga entre o Wanderlei e o Vitor discutiram porque o Jason e o Gasparzinho iam lutar... O Vitor sabia que eles eram amigos de muito tempo e aí teve um momento que não apareceu na edição, mas ele chegou a falar assim ‘Ah eu não sabia que vocês eram amigos’. Todo mundo sabia que os dois eram muito amigos, eles tinham morado junto e tudo. Ele se fez de louco, dava pra ver que ele estava mentindo. Eu queria ver se o Vitor lutaria contra o Mutante. Eu duvido. Ele não ia lutar. Se lutasse ia ser uma luta mais ou menos porque ele estaria lutando contra alguém que ele gosta. Ele fala que é o esporte e tal, mas...

Você já passou por uma situação parecida de ter que enfrentar um amigo?

Comigo já aconteceu uma vez em Abu Dhabi, em 2005, eu tive que lutar com o Márcio Corleta, meu professor, foi ele que me deu a faixa preta. E um amigo nosso, depois da luta, falou que esta foi a luta mais deprimente que ele tinha visto. Foi horrível. Tiveram duas coisas que eu não me esqueço. Quando eu ganhei, em 2003, o campeonato mundial, eu fiquei em primeiro e o Márcio Corletta ficou em terceiro, e eu olhava assim em cima do pódio e me senti meio mal. Aí em 2005 eu tive que lutar contra ele. Casaram a luta e tal. A gente chegou a ir junto para o evento, e a gente achou que talvez até pudesse se enfrentar, mas na final, porém os caras não deixaram. E a gente teve que lutar e eu ganhei de dois a zero numa quedinha que eu dei assim com o coração apertado. Foi uma luta bem feia, foi uma das mais feias que eu já tive.

E se o UFC pedir para você lutar contra algum amigo seu?

É difícil falar porque se a organização falar, eu como funcionário da empresa vou falar o que para os caras? Eu não sei porque o Dana White insiste nisso. Por que amigo tem que lutar? Parece que eles querem botar de propósito, antecipar o negócio. Olha o Jon Jones e o Rashad Evans, não foi legal. Todo mundo esperava uma luta muito melhor e não foi. Tinha uma polêmica envolvendo os dois, um falava do outro, mas dava pra ver que não era uma coisa verdadeira, dava para ver nitidamente, tanto que o Jon Jones podia ter nocauteado e acho que tinha um respeito né, o Jon Jones tem um grande respeito pelo Rashad.

O Dana White falou novamente  que ele achou o nível das lutas da  final do TUF Brasil muito aquém do esperado. Ele também disse que achou que os finalistas estavam com muita pose de estrelas, dando entrevistas, dançando às vésperas da luta e se esqueceram de que não estavam no UFC ainda. Você concorda com ele?

Eu não concordo muito. Não sei se a galera de repente não ficou com receio, não estava acreditando que estava ali e isso pode ter atrapalhado e o Dana pode ter interpretado como se eles estivessem se achando mesmo, mas era justamente o contrário. Eu acho que os caras saíram muito empolgados e não estavam acreditando 100% que estavam prestes a entrar no UFC.

Você saiu do UFC em 2008 depois de perder pro Junior Cigano e desde que você voltou ao Ultimate você fala que quer a revanche e que só quer o cinturão se puder disputá-lo com o Cigano. Vocês têm alguma coisa um contra o outro de verdade?

Eu não tenho nada contra ele. Eu acho que o Cigano fez o papel dele da primeira vez, ele me nocauteou quando ele chegou no UFC e foi falha minha mesmo. Eu que não treinei, tava mal de cabeça, foi uma época ruim da minha vida. Eu sempre digo que não tem nada a ver, ele não tem culpa disso. Ele tava recém-chegando, eu estava na minha quarta luta no UFC. E aí falei algumas coisas antes da luta meio que pra promover né, eu disse que não ia servir de escada para ninguém e aí que no final servi. Servi de escadão (risos). O cara hoje é o campeão e mostrou que ele é o cara mesmo, que ele tava se dedicando, fez oito ou nove lutas para chegar no cinturão e o cara é bom mesmo. Não é nada pessoal, não tenho nada contra ele e eu nunca tinha sido nocauteado ou finalizado, a primeira vez foi com ele. Então se eu puder disputar o cinturão contra ele vai ser ideal, vai ser o ápice da minha carreira.

É esse o seu objetivo então?

É o meu grande objetivo. Eu quero ganhar o cinturão, ainda não sei nada sobre a minha próxima luta, tenho que falar hoje (segunda) com o Joe Silva para saber. Quero lutar o quanto antes, não quero esperar muito tempo. Tão até falando que o Overeem vai voltar?

Tem alguma possibilidade de você enfrentar o Overeem?

Foi até engraçado. Eu vi o Overeem ai embaixo e eu tava conversando com o Glover Teixeira e, bem na hora do scanner para o video game do UFC, eu vi o Overeeem e ele veio perguntar como eu estava. Aí eu perguntei quando é que ele ia voltar, e ele disse que em dezembro. Eu peguei e falei ‘Vou falar com a organização para fazer uma revanche contra ti’. Ele ficou todo bobo, sorriu amarelo e saiu. Aí o Glover falou: ‘Boa Werdum, dessa eu gostei’ (risos). Mas eu não quero esperar até dezembro não. Quero lutar o quanto antes, pelo menos em setembro ou outubro, quem sabe no Brasil...

E o que você acha da revanche entre o Cain Velasquez e o Junior Cigano?

Eu quero que o Cigano ganhe e se pudesse também eu gostaria de lutar no mesmo evento que eles. Eu acho que o Cigano nocauteia de novo. O Cain tem um jogo muito bom, acho que é o mais moderno de hoje, ele tem um boxue muito bom, ele bota muito bem para baixo também e aquele joguinho de ficar por cima conta muito ali na hora da pontuação e é perigoso por causa do cotovelo. Vai que abre um corte grande ali e aí já acaba a luta. Esse era o medo quando eu vi o Sonnen levando o Anderson pro chão no primeiro round.

Você chegou a participar do treinamento do Anderson Silva para esta luta né?

O Anderson passou um tempo em Huntington Beach, treinando na academia do Rafael Cordeiro e eu cheguei a treinar com ele, eu o Babalu. Na real eu acho que ele podia até aproveitar agora essa fase áurea e se aposentar né, saindo por cima.

Ele disse que ia lutar por mais dez anos...

Mais dez? Ele falou isso? É que tem aquela coisa de aposenta, volta e faz a última luta. Eu acho que ele já já se aposenta, e acho que o Ortiz ainda luta mais uma vez. E aquela luta dele eu acho que ele ganhou, ele derrubou mais o Griffin. Contaram errado, todo mundo falou.

O que você achou da declaração do técnico do Sonnen de que pretende apelar na Comissão Atlética de Nevada por causa da joelhada e do Anderson ter espalhado a vaselina no corpo?

Eu achei que a joelhada tinha pegado no rosto, todo mundo pensou. E mesmo que tivesse pegado parece que as mãos estavam no ar e ele tava com os pés e o bumbum no chão, então não seria ilegal. O Sonnen agora vai ter que ficar quieto e entrar na fila de novo. Ele perdeu e todo mundo viu que foi um nocaute mesmo, que o juiz parou porque ele não tinha condições mesmo de continuar. Eu acho que o juiz podia ter deixado ele apanhar um pouco mais...(risos). Se ele for falar tudo de novo e perder vai ficar mais feio ainda.